Sexta-feira, 16 de maio de 2008, 00:00:00

Quando o melhor amigo do homem é amigo da conservação

Quando o melhor amigo do homem é amigo da conservação

Quatro cães treinados para detectar fezes de animais estão ajudando pesquisadores da Universidade de Washington, instituição parceira da ONG Conservação Internacional do Brasil (CI-Brasil), a monitorarem as espécies de mamíferos ameaçados que vivem na região oeste do Parque Nacional das Emas e nas fazendas de seu entorno, nos municípios de Costa Rica (MS) e de Chapadão do Céu (GO). A pesquisa, que está sendo realizada em uma área de três mil quilômetros quadrados, o equivalente a trezentos mil campos de futebol, tem como objetivo avaliar como alguns mamíferos utilizam os ambientes nativos remanescentes na paisagem. Por meio da análise das fezes encontradas pelos cães, os pesquisadores conseguem informações sobre a ocorrência, a dieta, o estresse hormonal, os parasitas e até a identidade genética dos animais monitorados. Esses dados irão contribuir na análise de como os animais estão utilizando os ambientes dentro e fora do parque, em especial nas propriedades privadas da região. Dessa forma, as ações de conservação poderão estar mais afinadas com as demandas dos animais e as dos fazendeiros.

O projeto faz parte dos estudos para a tese de doutorado da bióloga americana Carly Vynne, pesquisadora do Centro para Biologia da Conservação da Universidade de Washington (CCB). Além da CI-Brasil, o projeto conta com o apoio da Universidade de Brasília, do Fundo para a Conservação da Onça Pintada e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, entidade encarregada da gestão do Parque Nacional das Emas.

A pesquisa, que começou em 2006, depois de um breve período piloto em 2004, está em fase de conclusão. A análise das primeiras amostras coletadas revela que fazendas que mantêm menos de 30% de sua área preservada apresentam menos presença de animais. Os dados revelam que todas as espécies pesquisadas ainda utilizam a área do entorno do parque. “O entorno do parque fornece uma área de grande importância para as espécies como habitat principal ou como corredor de movimento”, diz Vynne. A pesquisadora verificou, por exemplo, que as onças não habitam propriedades devastadas. “Na maioria das vezes as onças ficam restritas à área do parque e raramente saem para outras áreas. Uma das razões para isso é que elas são muito exigentes por ambientes conservados”, afirma. Segundo a pesquisadora, as onças não foram registradas em nenhuma das áreas com menos que 20% de cobertura vegetal, que é um limite legal no Brasil para áreas de Cerrado. “Esse é um alerta para que desenvolvamos estratégias de conservação que considerem a recuperação de áreas degradadas na região”, afirma Vynne.

Segundo Vynne, o uso de cães farejadores treinados facilita os trabalhos de monitoração de espécies raras ou com baixa densidade populacional, o que é o caso da maioria das espécies ameaçadas de extinção do Cerrado, como a onça-pintada, a onça-parda, a anta, o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra e o lobo-guará. O método tem a vantagem de representar uma abordagem não intrusiva, ou seja, não é necessário capturar os animais e sedá-los para a coleta de material biológico. Além disso, ele permite a realização das pesquisas com um mínimo de amostras. Para o professor Jader Marinho Filho, da Universidade de Brasília, entidade responsável pelo projeto perante o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), o conjunto de dados obtidos com o método somente seria possível com a aplicação de técnicas mais caras, como a rádio-telemetria, que demanda também um grande esforço de trabalho em campo.

O método aplicado por Vynne é semelhante ao utilizado para a localização de drogas por cães. Quando as fezes são localizadas pelos cachorros, o pesquisador acompanhante marca o local com GPS (sistema de posicionamento global) e coleta as amostras. Os cães são premiados com bolas de tênis pelo bom trabalho desempenhado. No caso desse projeto, as fezes coletadas são enviadas para análise laboratorial no CCB-EUA,  onde traços de DNA ajudam a avaliar a quantidade de cada animal encontrada pelos cães. Além disso, pelas fezes é possível avaliar a saúde fisiológica de cada espécie. Com o auxílio de imagens obtidas por satélite, os dados são correlacionados com as características dos ambientes nos quais as amostras foram coletadas..

Segundo Jader Marinho Filho, as informações são  essenciais para entender como os animais estão se adaptando às mudanças ambientais.  “Os níveis de hormônios do estresse nas fezes dos animais são indicativos importantes na avaliação de sua capacidade de reprodução em determinado ambiente”, diz o professor. “Esses dados nos permitem estimar quais mamíferos terão condições de se reproduzir ou se eles estarão fadados a desaparecer na região”, completa.

Para Ricardo Machado, diretor do Programa Cerrado-Pantanal da CI-Brasil, o entendimento das diferentes respostas dos animais à fragmentação dos ecossistemas é fundamental para a definição de estratégias de conservação. Com o desmatamento de mais de 60% do Cerrado brasileiro, os parques nacionais tendem a ficar isolados e cercados por campos agrícolas. Por isso, de acordo com Machado, a localização dos rastros das espécies estudadas poderá fornecer importantes subsídios para a identificação de locais-chave para o estabelecimento de corredores de conexão entre áreas nativas isoladas. O projeto também mostra quão importante é o papel dos proprietários rurais para a sobrevivência das espécies ameaçadas: “se quisermos falar em desenvolvimento sustentável, temos que encontrar formas de manter as espécies nativas em paisagens produtivas. Nesse sentido, os cães nos ajudam a identificar quais são as áreas mais importantes”, conclui Machado.

Fonte: Conservação Internacional Brasil

 

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Para começar, o consumidor consciente pode colaborar com a minimização dos impactos ambientais conhecendo um pouco mais a natureza dessa classe de produtos. A partir daí, fica mais fácil buscar a destinação final adequada para pilhas e baterias, dentro daquilo que é possível fazer no momento.

Grupo 1 - Pilhas e baterias de zinco-manganês, alcalinas-manganês, lithium, lithium ion, zinco-ar, niquel metal, hidreto, pilhas e baterias botão ou miniatura. Podem ser descartadas no lixo doméstico, porque carregam substâncias tóxicas em níveis baixos e permitidos pela legislação, ou seja, que não agridem demasiadamente o meio ambiente.

Grupo 2 - Chumbo ácido, de níquel cádmio e de óxido de mercúrio. Baterias de chumbo ácido (usadas em automóveis), de níquel cádmio (as do tipo recarregáveis, como as usadas em telefones celulares e de óxido de mercúrio (pilhas comuns, mas que já não podem ser legalmente fabricadas no Brasil). Devem ser recolhidas pelo comércio e encaminhadas aos fabricantes ou importadores para destinação adequada.

Grupo 3 - Celulares. As baterias de telefones celulares não devem ir para o lixo comum. A maior parte delas contém em sua composição cádmio, chumbo ou mercúrio - metais pesados danosos ao meio ambiente e à saúde. O consumidor pode encaminhar as baterias para as assistências técnicas de operadoras de celular ou lojas que vendem celular ou diretamente nos fabricantes.

Fonte: www.akatu.org.br

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